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Como abordar a reabilitação de um conjunto histórico de pedra respeitando a sua essência

Enfrentar a reabilitação de uma propriedade histórica na Galiza, como a Casa-en-Abadín, é um desafio emocionante. Não se trata apenas de "arranjar uma casa", mas de entrar em diálogo com o passado. As robustas paredes de pedra, os telhados de lousa, as vigas centenárias... tudo conta uma história. A chave para o novo proprietário é saber como adaptar essa história ao século XXI sem apagar os seus capítulos.

Pela nossa experiência e observação de projetos de sucesso na zona, uma boa reabilitação deve manter um equilíbrio entre três pilares: conservação do carácter, eficiência energética e adaptação funcional.

1. Validar as pré-existências: ler o edifício

Antes de desenhar ou distribuir, é preciso "ouvir" a casa. Em conjuntos como este, construídos com critérios tradicionais, a orientação e as aberturas tinham uma lógica: proteger do vento norte, procurar o sol do sul, manter o grão seco.

Um erro frequente é tentar impor um padrão urbano a uma estrutura rural. Em vez disso, o mais inteligente é identificar que elementos são fundamentais: a lareira de pedra, a pia de pedra, as divisórias, as vigas de castanho. Na Casa-en-Abadín, o estado de conservação da estrutura de pedra é excelente, o que permite focar o investimento no condicionamento em vez da reconstrução estrutural.

2. Materiais: pedra, madeira e cal

A essência da casa rural galega reside nos seus materiais. Na reabilitação, a regra de ouro costuma ser: execute o novo com sinceridade, mas respeite o original onde for possível.

  • Pedra: as paredes de granito são a alma. Limpá-las e refazer as juntas com argamassa de cal (para permitir que a parede respire) é essencial. Evitar o cimento sobre a pedra previne problemas de humidade no futuro.
  • Madeira: o castanho é a madeira por excelência na Galiza. Recuperar vigas originais limpando e tratando confere um calor inigualável.
  • Telhado: a lousa é a pele da casa. A revisão da estrutura e isolamento do telhado costuma ser o investimento prioritário número um para garantir uma casa saudável.

3. O desafio do conforto: isolamento térmico

Uma casa antiga de pedra pode ser quente? Absolutamente. Mas requer estratégia. A pedra tem muita inércia térmica (demora a aquecer e a arrefecer), mas não é um grande isolante.

4. Distribuição do espaço: abrir a luz

As casas tradicionais eram muitas vezes compartimentadas para guardar calor. Hoje procuramos luz e fluidez. Sem alterar as paredes estruturais, os espaços podem ser comunicados.

5. O diálogo com o exterior

Finalmente, a reabilitação não acaba na porta. O ambiente imediato, as áreas pavimentadas, os alpendres e o acesso à propriedade fazem parte da experiência diária.

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